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Monday, August 30, 2010

Francesco da Milano's "Well-Tempered Lute" | O "Alaúde bem temperado" de Francesco da Milano

The music for lute has undergone a major evolution from the arrival of the "Oud" to the Iberian Peninsula in the eighth century until its virtual disuse in 1770, this evolution has been accompanied by numerous modifications of the instrument itself, until it reached the Late Baroque, in the form of theorboes, archlutes, Liuto Atteorbatos and Solo Baroque lutes.
For those who know a bit about the history of the lute and some of its composers, usually two names stand out: John Dowland, the supreme master of the late Renaissance, and Sylvius Leopold Weiss, perhaps the best composer of all time, a contemporary and friend of J.S. Bach, which focused exclusively on writing and performing pieces based on that instrument.

But if J.S. Bach’s two volumes of the “Well-Tempered Clavier” (1722 and 1744), explored the music of the next centuries, is there any parallel work to the lute? Undoubtedly, yes. It is the work of Francesco da Milano (1497-1543), the most famous lutenist of the Italian Renaissance and one of the most famous composers of sixteenth-century Europe.
One hundred and twenty four of his works have survived in the form of vocal music intabulations, ricercares and fantasies. In this important work, the exploration of the lute’s limits stands out, without limiting the use of the instrument to monophonically accompany popular songs of the time. A differentiation begins between lute music and dance music. With the legacy of Francesco da Milano, lute music becomes known as such and gains a new dimension with increasing depth and complexity, limited only by his creative genius.


Born in Monza, a suburb of Milan in the year 1497, at an early age Francesco da Milano traveled to Rome and served importat figures such as Popes Leo X, Clement VII and Paul III and the cardinals Ippolito de 'Medici and Alessandro Farnese. His fame grew and spread throughout Europe, but it was in Italy where he gained the nickname of "Il Divino" (the divine one), along with Michelangelo. He was buried in the church of Santa Maria della Scala in Milan (destroyed in the second half of the eighteenth century to make room for construction of the famous La Scala Opera House).

Recommended listening: Rolf Lislevand - Diminuito



(Português)
A música para alaúde sofreu uma grande evolução, desde a chegada do “Oud” à Península Ibérica no século VIII até ao seu virtual desuso em 1770, evolução essa que foi acompanhada de numerosas modificações do instrumento em si, até atingir o formato final do barroco tardio, na forma de teorbas, arquialaúde, Liuto Atteorbato e Alaúde Barroco solo.
Para quem conhece um pouco da história do alaúde e de alguns dos seus compositores, normalmente dois nomes ressaltam: John Dowland, mestre supremo dos finais da renascença, e Sylvius Leopold Weiss, quiçá o melhor compositor de todos os tempos, contemporâneo e amigo de J.S. Bach, e que se concentrou exclusivamente a compor e interpretar peças centradas nesse instrumento.

Mas se J.S.Bach explorou a música dos séculos seguintes com os seus dois volumes do “Cravo-Bem Temperado” (1722 e 1744), haverá alguma obra de significado paralelo para o alaúde? Sem dúvida que sim. É a obra de Francesco da Milano (1497-1543), o alaudista mais famoso da renascença italiana e um dos compositores mais famosos da Europa do século XVI.
Cento e vinte e quatro de seus trabalhos sobreviveram, sob a forma de intabulações de música vocal, ricercares e fantasias. Nessa importante obra se destaca a exploração dos limites do instrumento sem a limitação do uso do instrumento para acompanhar as canções populares da época de maneira monofônica. Começa a haver uma diferenciação entre música de alaúde e música de dança. Com o legado de Francesco da Milano, a música de alaúde passa a ser conhecida enquanto tal e ganha nova dimensão, com complexidade e profundidade crescente e limitada apenas pelo seu gênio criador.

Nascido em Monza, subúrbio de Milão no ano de 1497, em tenra idade Francesco da Milano viajou para Roma e serviu figuras como os Papas Leo X, Clemente VII e Paulo III bem como os cardeais Ippolito de Médici e Alessandro Farnese. A sua fama cresceu e se espalhou pela Europa, mas foi em Itália que ganhou o apelido de “Il Divino”, a par de Michelangelo. Foi sepultado na Igreja de Santa Maria della Scala em Milão (destruída na segunda metade do Século XVIII para dar espaço à construção do famoso Teatro La Scala).

Audição recomendada: Rolf Lislevand - Diminuito

Wednesday, April 22, 2009

Weiss at J.S. Bach’s house | Weiss em casa de J.S. Bach

Sylvius Leopold Weiss, the most famous lutenist of Europe, and Johann Sebastian Bach, with all probability already knew each other by name even before they met. One of Bach’s sons, Wilhelm Friedemann, became organist of Sophienkirche of Dresden in 1733, where he made friends with Weiss. From that point on, Bach and Weiss must have met several times.

During 1739, Weiss and his main apprentice, Johann Kropfgans, stayed in Leipzig with Wilhelm Friedemann for four weeks, and visited the house of J.S. Bach frequently. Johann Elias Bach, who worked as private secretary to Bach mentions the visit in a letter to the "Cantor" J.W. Koch:

"….so I certainly hoped to have the honour of speaking to my brother; I wished it all the more because just at that time there was extra special music while my cousin from Dresden (Wilhelm Friedemann) who was present here for four weeks, together with the two famous lutenists, Herr Weiss and Herr Kropfgans, played at our house several times…."

It is known that J.S. Bach had a great taste for the lute, and based on his close relationship with a circle of professional and amateur lutenists of the time, he modified an harpsichord placing gut-strings in the manner of the lute, which became known as a "Lautenwerk". It was said that the sound heard could cheat the best lutenists, and it was the instrument in which Bach played Weiss’s sonatas. Bach’s music for lute, composed in this lute-harpsichord, is for this reason, technically difficult, and sometimes require a different tuning.

Testimony of the admiration that Bach had for Weiss was the arrangement that Bach made of Weiss’s Sonata No. 47 in A Major for his suite for harpsichord and violin - BWV1025, which may have originated from one of these historic meetings.

Fifty-five years after the deaths of J.S. Bach and Weiss, in 1805, J.F. Reichart reported that J.S. Bach and Weiss have been involved in a friendly challenge ...

"Anyone who knows how difficult it is to play harmonic modulations and good counterpoints on the lute will be surprised and full of disbelief to hear from eyes-witnesses that Weiss, the great lute-player, challenged JS Bach, the great harpsichord and organ-player, by playing fantasies and fugues."


(português)
Sylvius Leopold Weiss, o alaúdista mais famoso da Europa, e Johann Sebastian Bach, com toda a probabilidade já se conheceriam de nome mesmo antes de se encontrarem. Um dos filhos de Bach, Wilhelm Friedemann, tornou-se organista da Sophienkirche de Dresden em 1733 onde travou amizade com Weiss. A partir desse ponto, Bach e Weiss deverão ter-se encontrado por diversas vezes.

Durante 1739, Weiss e seu principal aprendiz, Johann Kropfgans, estiveram com Wilhelm Friedemann em Leipzig por quatro semanas, tendo visitado a casa de J.S. Bach freqüentemente. Johann Elias Bach, que trabalhava como secretário privado de Bach menciona a visita numa carta ao “Cantor” J.W.Koch:

"... por isso eu certamente esperava ter a honra de falar com o meu irmão; eu desejava isso ainda mais porque justo durante esse tempo havia música extra especial enquanto o meu primo de Dresden (Wilhelm Friedemann) que estava presente aqui por quatro semanas, junto com os dois famosos alaúdistas, Senhor Weiss e Senhor Kropfgans, tocaram na nossa casa várias vezes...”

É sabido que J.S.Bach tinha um grande gosto pelo alaúde, e baseado no seu relacionamento estreito com um circulo de alaúdistas profissionais e amadores da época, chegou a modificar um cravo colocando cordas de tripa à maneira do alaúde, que ficou conhecido como “Lautenwerk”. Dizia-se que o som enganava o ouvido até dos melhores alaúdistas, e era o instrumento onde Bach tocava as sonatas de Weiss. A música de Bach para alaúde, composta neste cravo-alaúde, é por essa razão, tecnicamente difícil, sendo por vezes necessária uma afinação diferente.

Testemunho da admiração de Bach por Weiss foi o arranjo que Bach fez da Sonata nº47 em Lá Maior de Weiss para a sua suíte para cravo e violino, BWV1025, que poderá ter tido a origem num desses encontros históricos.

Cinqüenta e cinco anos depois da morte de J.S.Bach e Weiss, em 1805, J.F.Reichart relata que J.S.Bach e Weiss se terão envolvido num desafio amigável...

"….Alguém que saiba o quanto é difícil tocar modulações harmônicas e bom contraponto no alaúde ficará surpreendido e incrédulo ao ouvir com olhos-testemunha que Weiss, o grande alaúdista, desafiou J.S.Bach, o grande cravista e organista, a tocar fantasias e fugas.”