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Monday, February 27, 2012

The generation of 1500 | A geração de 1500

The turn of the fifteenth century to the sixteenth saw the birth of a number of important personalities in history and music history. It was in the height of Renaissance and the Western world had just been connected with India by sea, sailing around Africa as the Portuguese navigator Vasco da Gama did in 1497. It was also a time of Humanism (see "Renaissance and Melancholy" article), an era of knowledge and maritime exploration, though haunted by the persecutions of the Inquisition and the Catholic Church.

In the year of 1500 is born the future Emperor Charles V, who would be master of most of Europe, the so-called Europe of the Habsburgs. He also inherits all the immensity of the Spanish colonial New World, a new continent which is discovered by the Portuguese navigator Pedro Alvares Cabral precisely in that year. Simultaneously, another Portuguese, Diogo Dias, discovers Madagascar.

In music, only in Spain are born the polyphonist Cristóbal de Morales and the vihuelists Miguel de Fuenllana, Luis de Milán, Luis de Narváez and Enríquez of Valderrábano. In the context of the newly implemented Catholic fundamentalism, these were the personalities that gave rise to the famous "Spanish Golden Age" sound, influencing future generations of composers like Tomás Luis de Victoria, Pedro de Escobar and Frei Manuel Cardoso, among others.


(Português)
A viragem do século XV para o XVI viu nascer uma série de personalidades importantes para a história e para a história da música. Estava-se em plena Renascença e o mundo ocidental acabara de ser conectado por mar com a Índia, navegando à volta de África como o fez o navegador português Vasco da Gama em 1497. Vivia-se também em pleno humanismo (ver artigo “Renascença e Melancolia”), uma era de conhecimento e exploração marítima, ainda que assombrada pelas perseguições da Inquisição e da Igreja Católica.

No ano de 1500, nasce o futuro imperador Carlos V, que seria senhor de grande parte da Europa, a chamada Europa dos Habsburgos. Herda também toda a imensidão colonial espanhola no Novo Mundo, um novo continente que é descoberto pelo navegador português Pedro Álvares Cabral precisamente nesse ano. Simultaneamente, outro português, Diogo Dias, descobre Madagascar.

Na música, só em Espanha nascem o polifonista Cristóbal de Morales e os vihuelistas Miguel de Fuenllana, Luis de Milán, Luis de Narváez e Enríquez de Valderrábano. No contexto do fundamentalismo católico recém-implantado, estas foram as personalidades que deram origem ao famoso som do “Século de Ouro Espanhol”, influenciando futuras gerações de compositores como Tomás Luis de Victória, Pedro de Escobar e Frei Manuel Cardoso, entre outros.

Monday, August 30, 2010

Francesco da Milano's "Well-Tempered Lute" | O "Alaúde bem temperado" de Francesco da Milano

The music for lute has undergone a major evolution from the arrival of the "Oud" to the Iberian Peninsula in the eighth century until its virtual disuse in 1770, this evolution has been accompanied by numerous modifications of the instrument itself, until it reached the Late Baroque, in the form of theorboes, archlutes, Liuto Atteorbatos and Solo Baroque lutes.
For those who know a bit about the history of the lute and some of its composers, usually two names stand out: John Dowland, the supreme master of the late Renaissance, and Sylvius Leopold Weiss, perhaps the best composer of all time, a contemporary and friend of J.S. Bach, which focused exclusively on writing and performing pieces based on that instrument.

But if J.S. Bach’s two volumes of the “Well-Tempered Clavier” (1722 and 1744), explored the music of the next centuries, is there any parallel work to the lute? Undoubtedly, yes. It is the work of Francesco da Milano (1497-1543), the most famous lutenist of the Italian Renaissance and one of the most famous composers of sixteenth-century Europe.
One hundred and twenty four of his works have survived in the form of vocal music intabulations, ricercares and fantasies. In this important work, the exploration of the lute’s limits stands out, without limiting the use of the instrument to monophonically accompany popular songs of the time. A differentiation begins between lute music and dance music. With the legacy of Francesco da Milano, lute music becomes known as such and gains a new dimension with increasing depth and complexity, limited only by his creative genius.


Born in Monza, a suburb of Milan in the year 1497, at an early age Francesco da Milano traveled to Rome and served importat figures such as Popes Leo X, Clement VII and Paul III and the cardinals Ippolito de 'Medici and Alessandro Farnese. His fame grew and spread throughout Europe, but it was in Italy where he gained the nickname of "Il Divino" (the divine one), along with Michelangelo. He was buried in the church of Santa Maria della Scala in Milan (destroyed in the second half of the eighteenth century to make room for construction of the famous La Scala Opera House).

Recommended listening: Rolf Lislevand - Diminuito



(Português)
A música para alaúde sofreu uma grande evolução, desde a chegada do “Oud” à Península Ibérica no século VIII até ao seu virtual desuso em 1770, evolução essa que foi acompanhada de numerosas modificações do instrumento em si, até atingir o formato final do barroco tardio, na forma de teorbas, arquialaúde, Liuto Atteorbato e Alaúde Barroco solo.
Para quem conhece um pouco da história do alaúde e de alguns dos seus compositores, normalmente dois nomes ressaltam: John Dowland, mestre supremo dos finais da renascença, e Sylvius Leopold Weiss, quiçá o melhor compositor de todos os tempos, contemporâneo e amigo de J.S. Bach, e que se concentrou exclusivamente a compor e interpretar peças centradas nesse instrumento.

Mas se J.S.Bach explorou a música dos séculos seguintes com os seus dois volumes do “Cravo-Bem Temperado” (1722 e 1744), haverá alguma obra de significado paralelo para o alaúde? Sem dúvida que sim. É a obra de Francesco da Milano (1497-1543), o alaudista mais famoso da renascença italiana e um dos compositores mais famosos da Europa do século XVI.
Cento e vinte e quatro de seus trabalhos sobreviveram, sob a forma de intabulações de música vocal, ricercares e fantasias. Nessa importante obra se destaca a exploração dos limites do instrumento sem a limitação do uso do instrumento para acompanhar as canções populares da época de maneira monofônica. Começa a haver uma diferenciação entre música de alaúde e música de dança. Com o legado de Francesco da Milano, a música de alaúde passa a ser conhecida enquanto tal e ganha nova dimensão, com complexidade e profundidade crescente e limitada apenas pelo seu gênio criador.

Nascido em Monza, subúrbio de Milão no ano de 1497, em tenra idade Francesco da Milano viajou para Roma e serviu figuras como os Papas Leo X, Clemente VII e Paulo III bem como os cardeais Ippolito de Médici e Alessandro Farnese. A sua fama cresceu e se espalhou pela Europa, mas foi em Itália que ganhou o apelido de “Il Divino”, a par de Michelangelo. Foi sepultado na Igreja de Santa Maria della Scala em Milão (destruída na segunda metade do Século XVIII para dar espaço à construção do famoso Teatro La Scala).

Audição recomendada: Rolf Lislevand - Diminuito

Thursday, June 24, 2010

Renaissance Lute for sale | Alaúde renascentista vende-se

Georg Gerle lute model with case, 8 courses, pine soundboard, jacaranda belly, cedar pegbox. 59 cm (instrument in the photo).
Price: R$ 2.500 (1.135 €, US$1.394)

Contact: Luis Gontarski
luisgontarski@myscelanea.com.br
+55 41 7813-2881

(português)
Alaúde modelo Georg Gerle com case, 8 ordens, tampo em pinho, fundo em jacarandá, cravelheira em cedro. 59 cm (instrumento na foto).
Preço: R$ 2.500 (1.135 €, US$1.394)

Contato: Luis Gontarski
luisgontarski@myscelanea.com.br
+55 41 7813-2881

Monday, April 12, 2010

Watkin's Ale | (Cerveja de Watkin)

England ca. 1600, Anonymous
This ribald ballad was an Elizabethan favorite, although conservative elements in English society assailed at least one publisher for printing such "odious and lascivious" material. This catchy, swinging tune with its ascending midsection had staying power; most often sung in taverns and on the stage to the accompaniment of whatever instruments were at hand, the melody found its way into the Fitzwilliam Virginal Book, and from there into William Walton's score for the film Henry V; cast in a slow, funereal E minor, the drinking song became the theme of Walton's "Death of Falstaff" passacaglia. The bawdy lyrics go on at some length. Essentially, they tell of a young woman concerned that she might die a virgin; a randy young man overhears her complaint and offers to give her something he euphemistically calls Watkin's ale, "sweeter farr then suger fine, and pleasanter than muskadine." He takes her aside and gives her a full helping. Afterwards, they chat awhile, but the girl grows tired of talk and asks for more Watkin's ale. Naturally, the lad is happy to slake her thirst again. Nine months later, though, the brew has proven not to agree with her:
This mayden then fell very sicke,
Her maydenhead began to kicke,
Her colour waxed wan and pale
From taking much of Watkins ale.
Evidently, Elizabethans appreciated the song's salacious double entendres more than its safe-sex message. ~ James Reel, All Music Guide



(Português)
Inglaterra ca. 1600, Anónimo
Esta irreverente balada era uma das favoritas da Era Isabelina, embora os elementos mais conservadores da sociedade Inglesa criticassem, pelo menos, uma editora pela impressão de tal "material odioso e lascivo". Esta cativante melodia, balanceada com a sua ascendente parte do meio tinha o poder de ficar no ouvido; na maioria das vezes cantada nas tabernas e no palco, acompanhada pelos instrumentos que estivessem disponíveis no momento. A melodia acabou por aparecer no “Fitzwilliam Virginal Book” e mais tarde, na trilha sonora de William Walton para o filme “Henrique V”; fundida num lento, funerário Mi Menor, a canção de beber tornou-se o tema da passacaglia da “Morte de Falstaff” de Walton.
A letra obscena continua durante algum tempo. Essencialmente, ela fala de uma jovem preocupada por poder morrer virgem; um jovem turbulento ouve a sua queixa e oferece-lhe algo a que ele chama eufemisticamente de cerveja de Watkin, “mais doce que açúcar fino, mais agradável que vinho”. Ele a leva para o lado e dá-lhe ajuda completa. Em seguida, eles conversam um pouco, mas a jovem cansa-se de falar e pede mais cerveja de Watkin. Naturalmente, o rapaz tem o prazer de saciar sua sede de novo. Nove meses depois, porém, a bebida provou não concordar com ela:
Esta donzela então caiu muito doente,
Sua virgindade começou a chutar,
Sua cor desfalecida e pálida
De tomar muita cerveja Watkins.
Evidentemente, os isabelinos apreciavam o lascivo duplo sentido mais do que a sua mensagem de sexo seguro. ~ James Reel, All Music Guide

Friday, March 26, 2010

Kemp's Jig

England ca. 1600, Anonymous
Will Kemp was a famous English actor from the Elizabethan era believed to have inspired his friend and business associate William Shakespeare to write several of his comedies. Kemp was known to be both a jester and quite an energetic dancer of jigs. In one great, widely reported stunt, he is said to have danced from London to Norwich in nine days. It was he who inspired this folk piece, often titled simply “Kemp's Jig”. There are no lyrics to this music, though one will undoubtedly find later song versions of the piece, just as there are numerous arrangements of the tune for various instrumental groups, including for small brass and other wind ensembles. The melody is lively and sunny, but also has a stately quality in its brisk, almost march-like manner. It is memorable and sounds like a mixture of Baroque- and Christmas-music styles in its happy, slightly starch-collared gaiety. Its chipper, rhythmic music would seem quite the perfect accompaniment for a scene depicting a clown merrily dancing his way along. Most folk music lovers will find the various instrumental versions of the piece worth their while.
Source: Robert Cummings, All Music Guide



(Português)
Inglaterra ca. 1600, anônimo
Will Kemp foi um famoso ator Inglês da época isabelina que se acredita ter inspirado seu amigo e sócio William Shakespeare a escrever várias de suas comédias. Kemp era conhecido por ser um tanto gracejador e dançarino bastante enérgico de jigas. Em uma grande façanha amplamente divulgada, diz-se que ele dançou de Londres até Norwich em nove dias. Foi ele que inspirou esta peça folclórica, muitas vezes chamada simplesmente de “Kemp's Jig”. Esta música não tem letra, embora se encontre sem dúvida versões posteriores da peça, assim como arranjos para vários grupos instrumentais, incluindo para metais e outros conjuntos com instrumentos de sopro. A melodia é alegre e ensolarada, mas também tem uma qualidade imponente na sua maneira viva, quase de marcha. É memorável e soa como uma mistura de estilo barroco e música de Natal no seu contentamento e alegria com um leve colarinho formal. A sua música rítmica e tagarela seria talvez o acompanhamento perfeito para uma cena representando um palhaço dançando alegremente ao longo do seu caminho. A maioria dos amantes de música folclórica verão que as várias versões instrumentais da pela valem a pena.
Fonte: Robert Cummings, All Music Guide

Thursday, March 25, 2010

English Renaissance Semester | Semestre da Renascença Inglesa

I call this Semester as Renaissance English Semester because I have three new songs in my lute repertoire, with origin in England and that became famous in their time. In the Early Band classes, me and another fellow student have 9 duos by John Johnson and Thomas Robinson between hands.
But the three basic solo lute songs of the semester are: "Kemp's Jig" - Anonymous, "Watkin's Ale" - Anonymous, and "Lady's Laiton Almain" - John Dowland.
Their stories deserve to be counted, and for those who enjoy history, embark with me on this journey through time in the next posts.

(Português)
Chamo a este semestre de Semestre da Renascença Inglesa porque tenho três novas músicas no meu repertório de alaúde, originárias de Inglaterra e que se tornaram famosas em seu tempo. Nas aulas de conjunto, eu e outro colega estudante temos 9 duos de John Johnson e Thomas Robinson entre mãos.
Mas as três músicas básicas de alaúde solo do semestre são: "Kemp’s Jig" – Anônimo, "Watkin’s Ale" – Anônimo, e "Lady Laiton’s Almain" – John Dowland.
As suas histórias merecem ser contadas, e para quem gosta de história, embarque comigo nessa viagem no tempo nos próximos posts.

Friday, March 12, 2010

Asteria: next concerts | Asteria: próximos concertos

The divine american medieval/renaissance duo ASTERIA will be live in the next two dates:

Saturday, March 13, 2010, 3:00pm

Lecture/demonstration: "In Search of the Lost Song: bringing medieval chansons to life"sponsored by the Early Music Foundation - The Metropolitan Museum of Art.

1000 Fifth Avenue at 82nd Street - New York, New York 10028

Info: 212-535-7710

Wednesday, April 21, 2010, 1:15-1:45pm

"Music for a Rash Prince ~ Courtly Song in the Waning Middle Ages" presented by Midtown Concert Series

Immanuel Lutheran Church 122 East 88th St, at Lexington Ave - New York, NY 10128

Info: 212-967-9157



Quant la doulce jouvencelle - Asteria (live at Germolles ao vivo em Germolles)

(português)

O divinal duo medieval/renascentista americano ASTERIA se apresentará ao vivo nas duas datas seguintes:

Sábado, 13 de Março - 15h00
Palestra/demonstração: "Em busca da canção perdida: trazendo as chansons medievais à vida" patrocinado pela "Early Music Foundation - The Metropolitan Museum of Art".
1000 Fifth Avenue at 82nd Street - New York, New York 10028
Informações: 212-535-7710

Quarta-feira, 21 de Abril - 13h15-13h45
"Música para um Príncipe arrojado ~ A canção cortesã em finais da Idade Média" apresentado pelas "Midtown Concert Series"
Immanuel Lutheran Church 122 East 88th St, at Lexington Ave - New York, NY 10128
Informações: 212-967-9157

Wednesday, November 4, 2009

Tribute to Pedro Caldeira Cabral | Homenagem a Pedro Caldeira Cabral

This post is not a biography of the brilliant portuguese guitarist, composer and author. It's just a tribute and a reminder to me that without having known his music, I would never have been attracted by Early Music and become a lute student.

Unfortunately I never had the opportunity to attend a concert or watch a presentation of his Early Music projects "La Batalla" and "Concerto Atlântico", perhaps because of the poor dissemination of information on quality music in my native country. But I would also like to link this blog to those musicians, who probably deserved more attention and greater support by the Portuguese media and the Ministry of Culture.

I can not remember exactly how I met Pedro Caldeira Cabral's music. Certainly I must have seen him play on television once or twice and memorized his name before I was ten years old. I know that in a Christmas when I was a kid, I bought a cassette of his "Duas faces" album. I must have heard that tape a thousand times. I would say that in the mid-80s, most of my colleagues wanted to be Bono of U2, Maradona or Ayrton Senna. I wanted to be Pedro Caldeira Cabral.

My admiration was further completed in 2007, when in my enthusiasm for initiating lute studies, I contated him by email, among about fifty contacts around the world in the field of Early music, from musicians and teachers to webmasters and record companies. Pedro Caldeira Cabral was the only person who answered me, in a very attentive and friendly way, I must say. I will never forget this gesture and the day of my graduation recital I intend to include his name on my short list of thanks, perhaps play one of his songs on the Renaissance lute or vihuela.



(Português)
Este post não é uma biografia sobre o brilhante guitarrista, compositor e autor português. É apenas uma homenagem e um lembrete para mim de que sem ter conhecido a sua música, eu nunca teria sido atraído pela música antiga e me tornado um estudante de alaúde.

Infelizmente nunca tive oportunidade de assistir a um recital ou ver uma apresentação dos seus projectos de música antiga “La Batalla” e “Concerto Atlântico”, talvez pela pobre difusão de informações sobre espectáculos de música de qualidade no meu país natal. Mas gostaria de ligar este blog também a esses músicos, que talvez merecessem uma atenção e um apoio maior por parte dos meios da comunicação social portuguesa e do Ministério da Cultura.

Não me consigo lembrar com exatidão como conheci a música de Pedro Caldeira Cabral. Com certeza devo tê-lo visto tocar na televisão uma ou duas vezes e fixei o seu nome quando ainda não tinha dez anos de idade. Sei que num Natal em que eu era pequeno, me compraram uma cassete do seu álbum “duas faces”. Devo ter ouvido aquela cassete milhares de vezes. Eu diria que em meados dos anos 80, a maioria dos meus colegas queria ser Bono dos U2, Maradona ou Ayrton Senna. Eu queria ser Pedro Caldeira Cabral.

A minha admiração ainda se completou mais no ano de 2007, quando no entusiasmo pela minha iniciação no alaúde o contactei por email, entre cerca de cinquenta contactos pelo mundo na área da Música Antiga, desde músicos e professores a webmasters e companhias discográficas. Pedro Caldeira Cabral foi a única pessoa que me respondeu, de uma forma muito atenciosa e simpática por sinal. Nunca esquecerei esse gesto e no dia do recital da minha formatura pretendo incluir o seu nome na minha pequena lista de agradecimentos, quiçá tocar uma das suas músicas no alaúde renascentista ou vihuela.

Wednesday, September 2, 2009

Melancholy and Renaissance | Melancolia e Renascença

One of the reasons why Renaissance lute music is not very popular is its melancholic nature. The ultimate example of this is the music of the English composer John Dowland, born in 1563 and a contemporary of Shakespeare.

However, faced with this apparent paradox, one might ask: If the Renaissance, with its revolutionary interest in the Arts and Sciences, took the place of the dark Middle Ages, how did melancholy appeared to establish itself as the dominant musical feeling of an age that was apparently of human discovery and enlightenment?

With the changes and revolutions of thought that have occurred in the Renaissance, specially in the Arts and Sciences, theological explanations which prevailed in the Middle Ages came to be discredited and less accepted, leading to experimental science as rational attempt to discover and understanding the world.

The cultural movement of the Renaissance brought a loss of references of the Medieval world, while making at the same time the genesis of the liberation of the individual through Reason, or the Protestant faith.
Melancholy appears in full in the field of Philosophy and the Arts. When the paradigms of faith, which gave Man all the answers, were broken through Protestant Reformation, brought about the exploration of the limits of human intellect in various dimensions.

The human perception of himself undergoes changes, leading him to realize that he was alone in the universe, that he was absolute master of his destiny and the only judge of his conduct. This burden was too oppressive for him to bear, inviting him to apathy, sadness and disbelief. Those melancholic feelings were grown as fashion by the musical elite of that time.

(Português)
Uma das razões porque a música renascentista de alaúde ainda não é muito popular é o seu carácter melancólico. O exemplo máximo dessa característica é a música do compositor inglês John Dowland, nascido em 1563 e contemporâneo de Shakespeare.

Porém, perante esse aparente paradoxo, pode-se perguntar: se o Renascimento, com o seu revolucionário interesse pelas Artes e pelas Ciências, tomou o lugar da sombria e obscura Idade Média, como é que a melancolia apareceu a impor-se como o sentimento musical dominante de uma época que, aparentemente, foi de luz e de descoberta para o ser humano?
Com as modificações e revoluções de pensamento ocorridas na Renascença, sobretudo nas Artes e nas Ciências, as explicações teológicas que imperavam na Idade Média passaram a ser desacreditadas e menos aceites, dando lugar à Ciência Experimental, como tentativa racional de descoberta e de compreensão do mundo.

O movimento cultural do Renascimento trouxe uma certa perda de referências do mundo medieval, fazendo simultaneamente a génese da libertação do indivíduo através da Razão, ou da Fé Protestante.
A melancolia aparece em pleno no campo da Filosofia e das Artes. Quando os paradigmas da fé, que davam ao Homem todas as respostas, foram quebrados através da Reforma Protestante, ocasionaram a exploração dos limites do intelecto humano em várias dimensões.

A percepção do Homem sobre si próprio sofreu mudanças, levando-o a tomar consciência de que estava só no Universo, que era senhor absoluto do seu destino e único juiz de sua conduta. Esse peso era demasiadamente opressor para que ele o carregasse, convidando-o à apatia, à tristeza e à descrença. Esses sentimentos melancólicos foram cultivados como moda pela elite musical renascentista.